Há alguns anos, quando queríamos encontrar uma empresa, um produto ou um serviço, o caminho era quase sempre o mesmo: Google.
Hoje, esse comportamento está a mudar.
Cada vez mais pessoas recorrem ao ChatGPT, Gemini, Copilot e outras ferramentas de Inteligência Artificial para pesquisar, comparar alternativas e até pedir recomendações.
“Qual é a melhor solução para…?”
“Que empresas portuguesas fazem…?”
“Qual destas marcas devo escolher?”
E há um dado recente que deve fazer qualquer empresa — e especialmente qualquer PME — pensar: apenas 1% a 2% das fontes citadas pelas ferramentas de IA, em pesquisas relacionadas com marcas de bens de consumo, correspondem aos próprios websites das marcas.
O dado surge no estudo State of the Consumer 2026, da McKinsey, e ajuda a perceber uma mudança importante na forma como construímos presença digital.
Já não basta aquilo que a tua marca diz sobre si própria. Importa, cada vez mais, aquilo que a internet diz sobre a tua marca.
Quando alguém faz uma pergunta ao ChatGPT, ao Claude, ao Gemini ou a outra ferramenta de IA, a resposta pode apoiar-se em diferentes fontes: websites, artigos, notícias, fóruns, reviews, vídeos, plataformas especializadas e conteúdos publicados por terceiros.
Isto não significa que o website deixou de ser importante. Muito pelo contrário.
O website continua a ser a casa digital da marca: o espaço onde controlamos a informação sobre quem somos, o que fazemos, os nossos produtos, serviços, experiência e diferenciação.
Mas agora temos de olhar para ele como uma peça de um ecossistema digital muito maior.
Então o SEO deixou de ser importante?
Não! O SEO continua a ser fundamental.
Se o Google — ou qualquer outro motor — não consegue perceber claramente o que a tua empresa faz, dificilmente vais conseguir construir uma presença digital forte.
Mas há uma nova sigla a entrar nas conversas de marketing: GEO — Generative Engine Optimization.
De forma simples:
SEO ajuda a tua empresa a ser encontrada nos motores de pesquisa.
GEO procura aumentar a probabilidade de a tua empresa ser encontrada, compreendida e citada pelos motores de IA generativa.
Já falámos sobre esta mudança n’O Raio do Blog, no artigo “Como aparecer nas pesquisas da IA (e porque o SEO já não chega)”, onde explicamos porque as marcas precisam de começar a preparar os seus conteúdos para uma realidade que vai muito além da pesquisa tradicional.
E foi precisamente sobre este tema que conversámos também na 3.ª edição das BOOMER TALKS, com Hélder Mesquita, especialista em SEO e IA, numa conversa dedicada ao tema “SEO/GEO: como a IA está a mudar a forma como encontramos marcas online”.
Uma das ideias que explorámos nessa conversa é cada vez mais relevante: as marcas precisam de começar a pensar para além do Google.
Não estamos apenas a otimizar páginas para conquistar posições nos resultados de pesquisa. Estamos a construir uma presença digital que permita às diferentes plataformas perceber quem somos, em que somos especialistas e porque somos relevantes.
Porque é que isto é especialmente importante para uma PME?
Porque pode ser uma oportunidade.
Uma PME dificilmente consegue competir com uma grande empresa em orçamento publicitário, notoriedade ou dimensão da equipa de marketing.
Mas pode competir em três coisas muito importantes: especialização, autoridade e relevância.
Imagina uma PME industrial que trabalha há 25 anos numa área muito específica.
Provavelmente tem conhecimento técnico, experiência, projetos, clientes e respostas para problemas que poucas empresas dominam.
Mas onde está esse conhecimento?
Se estiver apenas na cabeça do CEO, dos comerciais ou da equipa técnica, é invisível para o Google e também para a IA.
Agora imagina que essa mesma empresa publica artigos especializados, responde às principais dúvidas dos clientes, apresenta casos de estudo, participa em eventos do setor, aparece em meios especializados, recolhe testemunhos e é referenciada por parceiros.
A realidade da empresa não mudou. O que mudou foi a sua autoridade digital. E isso pode fazer toda a diferença.
Estar mencionado pela IA significa ser recomendado?
Não! E esta diferença é importante.
Uma marca pode aparecer frequentemente nas respostas sem ser necessariamente a opção que a IA apresenta como recomendação.
Por isso, o objetivo não deve ser simplesmente: “Queremos aparecer no ChatGPT.”
A pergunta mais interessante é: “Quando alguém procura uma empresa como a nossa, temos autoridade digital suficiente para fazer parte das respostas?”
E melhor ainda: “Temos argumentos suficientes para sermos uma das recomendações?”
É aqui que estratégia de marca, conteúdo, SEO, GEO, relações públicas e reputação começam a deixar de funcionar como disciplinas isoladas.
Tudo contribui para construir autoridade.
Como posso saber o que a IA diz sobre a minha empresa?
Faz o teste (fora da conta que normalmente utilizas, se já o fizeres)!
- Abre algumas das principais ferramentas de IA e coloca perguntas que um potencial cliente poderia fazer.
- Não perguntes apenas diretamente pela tua empresa. Experimenta:
- “Quais são as melhores empresas em Portugal para [serviço]?”
- “Que empresa recomendarias para [problema]?”
- “Quais são as principais alternativas para [produto/serviço]?”
- “Que especialistas existem em Portugal nesta área?”
- Depois analisa as respostas.
- A tua empresa aparece?
- Os concorrentes aparecem?
- Que fontes são utilizadas?
- Que características são associadas à tua marca?
- A informação está correta?
Esta pequena auditoria pode revelar muito sobre a tua presença digital atual.
Afinal, o que muda na estratégia de marketing das PME?
Durante anos, uma das grandes perguntas do marketing digital foi: “Como conseguimos aparecer no Google?”
Mas agora precisamos de acrescentar outra: “Como conseguimos ser relevantes nas respostas da IA?”
E isso obriga-nos a pensar de forma mais integrada.
Website. SEO. Conteúdo. Relações públicas. Redes sociais. Reviews. Vídeo. Autoridade dos especialistas da empresa. Presença em meios externos.
Tudo está ligado.
E é também por isso que a IA não substitui uma estratégia de marketing. Pode acelerar processos, ajudar a produzir conteúdos, analisar informação e automatizar tarefas, mas não resolve problemas de posicionamento, diferenciação ou falta de estratégia. É um tema que aprofundámos em “A Inteligência Artificial vai ‘matar’ as agências de marketing?”.
Para uma PME, isto é particularmente relevante. Com equipas mais pequenas e recursos limitados, dispersar investimento por dezenas de ações isoladas raramente é a melhor solução.
O ponto de partida deve continuar a ser a estratégia: perceber os objetivos, conhecer a audiência, analisar a concorrência, definir uma proposta de valor e medir resultados. Se estás a estruturar esta base, recomendamos também o artigo “Como criar uma Estratégia Digital EFICAZ em 5 passos?”.
Na BOOMER, ajudamos PME a construir estratégias integradas de marketing e comunicação, trabalhando estratégia, marca, conteúdo, SEO, GEO e presença digital como partes do mesmo sistema.
Queres perceber como a tua empresa aparece — ou não aparece — nas novas pesquisas feitas através de IA? Fala connosco e vamos analisar a presença digital da tua marca!

