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Regra de ouro: da natureza ao Design Gráfico

Um dos principais objetivos dos designers, senão o mais importante, é criar algo que seja esteticamente agradável e funcional. Neste artigo, vamos abordar a “regra de ouro”, uma ferramenta utilizada por vários profissionais da área e que auxilia na criação de composições visuais e layouts equilibrados.

Um dos principais objetivos dos designers, senão o mais importante, é criar algo que seja esteticamente agradável e funcional. Neste artigo, vamos abordar a “regra de ouro”, uma ferramenta utilizada por vários profissionais da área e que auxilia na criação de composições visuais e layouts equilibrados.

A regra de ouro, também conhecida como “número de ouro” ou “proporção áurea”, é um número algébrico irracional, estudado desde a Antiga Grécia, representado pelos gregos através da letra ϕ (phi), ou pelo número 1.618. Chegamos a este número quando temos uma linha dividida em duas partes e a parte mais longa (A) dividida pela parte mais curta (B) é igual à soma das duas partes (A+ B) divididas por (A):

 

 

A / B = ϕ = 1.618…

(A + B) / A = ϕ = 1.618…

 

 

Esta proporção está bastante presente na natureza, e pode ser encontrada por toda a parte: nas flores, nos ramos das árvores, em conchas, furacões e até em galáxias espirais. É, por isso, considerada uma característica natural do universo. Talvez por este motivo nos pareça visualmente agradável, visto que é algo que estamos habituados a ver ao nosso redor. No caso do girassol, as sementes têm de rodar no rácio de 1.618, para haver uma maior otimização de espaço.

Ao longo dos tempos, o ser humano também foi fazendo uso desta proporção, como, por exemplo, nas Pirâmides Gizé, no Egito, nos templos gregos, em pinturas e nas mais variadas obras de arte.

Há uma relação entre a regra de ouro e a sequência de Fibonacci, em que um número é a soma dos dois números anteriores: 0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, e por assim adiante, até ao infinito. Ao dividirmos um número com o número seguinte, obtemos sempre um número aproximado a 1.618. Se contarmos as sementes de um girassol, pelas suas linhas de crescimento, na maioria dos casos, vamos obter um número de Fibonacci.

Layout

Determinar o espaço que vários elementos ocupam pode ser algo que consome muito tempo e, por vezes, podemos tirar partido da regra de ouro como guia, para nos indicar onde colocar as várias peças. Isto assegura que o espaço e as proporções estão calculados, em vez de as posicionarmos por instinto. Contudo, à medida que os designers se tornam mais experientes, isto acaba por acontecer de forma natural.

Tipografia

A regra de ouro é usada sobretudo para fotografia ou composição de imagens, mas pode ser aplicada também na hierarquia tipográfica. Por exemplo, se o corpo de texto for 12pt, multiplicando esse número por 1.618, vamos obter 19.416. Seguindo a proporção áurea, concluímos que o título deverá ter 19pt ou 20pt para chegarmos a uma composição equilibrada.

Formas

A proporção áurea pode também ser usada no desenvolvimento de logotipos, partindo do retângulo de ouro, ou mesmo de elipses proporcionais, de maneira a que possamos construir uma forma equilibrada. Claro que isto não significa que vamos sempre obter um desenho esteticamente bonito, mas é algo a ter em conta se estivermos com dificuldades em chegar a uma forma proporcional. 

A regra de ouro pode ser encontrada em várias marcas, tais como a Apple, Twitter, Pepsi, BP, National Geographic, entre outros.

Websites

Imaginemos um layout para um website de 1280px de largura, com uma área principal de conteúdo, basta dividir esse número por 1.618, o que dá 791. Desta forma, ficamos com uma área secundária de 489px de largura. Claro que estes cálculos não prevêem as margens entre os diversos elementos, sendo preciso fazer alguns ajustes.
Mesmo em websites responsivos, podemos usar a regra de ouro, não na largura, mas na proporção entre o texto e as imagens, ou entre os títulos e o corpo de texto.

Apesar da sua irracionalidade, podemos encontrar a regra de ouro na natureza, ou podemos criar uma composição com base nessa proporção, quer tenhamos consciência dela ou não.

No entanto, a regra de ouro não deve ser usada de forma obsessiva, mas sim como uma ferramenta útil para garantirmos uma imagem mais equilibrada. É uma fórmula matemática, o que prova que também há ciência na arte, mas que, ao mesmo tempo, não torna uma coisa bonita instantaneamente.

 

E vocês, já alguma vez usaram a regra de ouro ou repararam na sua presença? 🙂

Autor
Tiago Oliveira
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