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Será a Inteligência Artificial inimiga dos designers?

A IA não é nada mais do que uma tecnologia desenhada para ensinar aos computadores as capacidades cognitivas do ser humano, para que estes possam também pensar e imitar as nossas ações


Nas últimas décadas, a tecnologia tem transformado as nossas vidas de formas que nunca teríamos imaginado no passado. As grandes empresas da área digital têm apostado no desenvolvimento de novas tecnologias, como é o caso da Inteligência Artificial (IA), nomeadamente no “machine learning”.


A IA não é nada mais do que uma tecnologia desenhada para ensinar aos computadores as capacidades cognitivas do ser humano, para que estes possam também pensar e imitar as nossas ações. Desta forma, as máquinas conseguem executar tarefas que normalmente necessitam de inteligência e discernimento humano, tais como percepção visual, reconhecimento de voz, tradução de idiomas e tomada de decisões.

 

Com o passar do tempo, os algoritmos são expostos a uma enorme quantidade de informação, que é processada pelos mesmos, o que permite treinar o reconhecimento desses dados pela máquina e consequentemente melhorar o seu desempenho no futuro.



Já em 2017, a Nutella utilizou um algoritmo para criar 7 milhões de padrões únicos para cada embalagem, sobre a alçada do projeto “Nutella Unica”, desenvolvido pela agência Ogilvy. Estes frascos foram vendidos nos supermercados de Itália e esgotaram no período de um mês.


Preveem-se, contudo, possíveis graves problemas derivados deste desenvolvimento: acredita-se que a automação irá ser usada por toda a parte e que a inteligência artificial irá substituir os empregos do ser humano. A área do Design não é exceção. A conversão de texto em imagem era, até muito recentemente, um processo que demorava bastante tempo, mas, neste momento, a máquina já consegue fazê-lo em poucos segundos, o que vem comprovar as capacidades de sistemas como o Imagen, da Google, o NVIDIA Canvas ou, a que vamos abordar neste artigo, o DALL-E 2.

Este sistema inovador de IA aprendeu a relação entre a imagem e o texto usado para a descrever. Desta forma, consegue criar novas imagens a partir de uma breve descrição textual, graças ao “machine learning” e ao conhecimento obtido na grande quantidade de outras imagens analisadas anteriormente. Tudo o que precisamos de fazer para criar uma imagem original e única é explicar a ideia ao software, descrevendo-a com o maior detalhe possível, podendo até definir o estilo visual, seja este arte digital, renderização 3D ou até ao estilo de Van Gogh.


O DALL-E 2 ainda não está disponível para o público em geral, mas a empresa de investigação e desenvolvimento criadora do sistema, a OpenAI, está a expandir o acesso a um maior número de pessoas na lista de espera, com expectativas de atingirem um milhão de utilizadores até ao final do ano 2022. Visto que o DALL-E 2 possibilita muitas aplicações a nível de Design e Marketing, quando esta ferramenta estiver disponível para todo o público, certamente vai mudar o mundo do Design!


Uma das grandes vantagens desta ferramenta é a capacidade de gerar um número ilimitado de imagens para qualquer projeto de design. A Boomer criou várias imagens a partir de texto, conforme as legendas, inserido no DALL-E.  



Como podemos observar, algumas das imagens aparecem ligeiramente distorcidas, outras bastante desfocadas, ou com montagens visualmente desenquadradas.


Ainda assim, não devemos descartar a potencialidade da IA, pois até grande parte da edição fotográfica como, por exemplo, a remoção de fundos, é ligeiramente facilitada graças ao algoritmo por trás dos softwares de edição de imagem.


Infelizmente, não vivemos num mundo perfeito em que todos os objetos ou pessoas numa fotografia estão à frente de um fundo contrastante ou monocromático. Muito pelo contrário, na maioria dos casos, certos elementos parecem fundir-se com os fundos, como é o caso dos cabelos frisados. Graças à evolução da tecnologia de reconhecimento visual, o algoritmo consegue analisar a imagem e detectar o objeto principal de uma fotografia, o que torna este processo um pouco mais rápido, embora grande parte das vezes ainda necessite de refinação.


Ferramentas como o Depixelizer conseguem facilmente tornar imagens desfocadas e com ruído visual em imagens mais limpas e nítidas. Neste processo, a IA analisa áreas de pixels e substitui-os por pixels de maior qualidade, restaurando a definição dos objetos numa fotografia.


A capacidade de ampliar imagens é particularmente útil quando necessitamos de produzir um design para impressão, mas apenas temos uma imagem de pouca dimensão para trabalhar. Aumentar uma fotografia sem qualquer tipo de otimização visual resulta numa imagem desfocada ou pixelizada, algo que devemos sempre evitar quando estamos a criar materiais para anúncios, uma vez que isso gera menos engagement e taxas de conversão mais baixas.

No entanto, estas ferramentas não são 100% infalíveis, pelo que a IA tem tendência para responder sempre com base na informação à qual foi exposta. Um dos exemplos mais escandalosos é esta tentativa de despixelizar uma foto de Barack Obama.

Quando um utilizador carregou uma fotografia pixelizada do ex-presidente, o algoritmo gerou uma imagem de um homem com características caucasianas. A IA não consegue analisar perfeitamente o contexto da imagem, pois trabalha maioritariamente com pixels e, portanto, ocorrem distorções frequentemente.



O NVIDIA Canvas, neste momento, trabalha apenas com paisagens, mas consegue tornar pinceladas simples em imagens bastante realistas. Embora esta ferramenta possa ser uma ameaça para os bancos de stock, também abre portas para os criativos trazerem as suas ideias à vida, mesmo sem terem habilidades para fotografar ou desenhar.

Este tipo de ferramentas têm a possibilidade de melhorar a produtividade dos designers, para que se foquem em tarefas menos mundanas, que requerem criatividade e não horas de trabalho doloroso. Com um mercado cada vez mais competitivo, os designers vão necessitar de expandir o seu conhecimento para que possam contribuir em contextos multidisciplinares, o que, possivelmente, irá alargar ainda mais o espectro de especializações.


Os designers ainda serão necessários pela sua criatividade e competências de design thinking, para inventar novos conceitos e ideias que serão capazes de dar à vida. Talvez não seja difícil imaginar que a posição dos designers passará mais por serem curadores, do que criadores.


E tu, o que achas do impacto que a Inteligência Artificial pode trazer às vossas vidas? Consideras que a IA irá ameaçar as profissões ligadas ao Design e à Comunicação? 

Autor
Tiago Oliveira
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