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Anatomia Tipográfica

Aos que ficaram mais interessados em tipografia e typedesign, say no more!

Como vimos anteriormente, já sabemos classificar algumas tipografias e como as utilizar. Aos que ficaram mais interessados em tipografia e typedesignsay no more!

Tal como os seres humanos, as letras têm estilos e personalidade, mas também características comuns entre si.

Neste artigo falaremos mais sobre a anatomia das letras e alguma terminologia usada para distinguir certos elementos comuns entre os vários caracteres, o que os diferencia, e de que forma podemos torná-los mais fáceis de ler.

Acima de tudo, é necessário termos consciência das linhas invisíveis que estão sempre presentes em qualquer texto, mas são extremamente necessárias quando criamos um tipo de letra.

Linhas

linha de base é a linha horizontal onde as letras assentam.

 

A altura de x, é literalmente a altura que a letra minúscula x tem desde a linha de base. Esta medida afeta o espaço aparente da tipografia e consequentemente o seu impacto visual, pois é o espaço que está sempre ocupado, qualquer que seja a palavra escrita, seja com minúsculas ou maiúsculas.

 

A linha de maiúsculas é a altura dos caracteres maiúsculos, e por norma é definida pela letra E ou H. 

 

A linha de ascendentes e descendentes são as que limitam os caracteres que atravessam a linha de x ou de base, respetivamente.

 

Tal como vemos na imagem, a linha de ascendente e de maiúsculas são muito aproximadas, e parecem ser a mesma, mas é aconselhado que sejam diferentes de forma a haver uma distinção entre elas e tornar os textos mais legíveis.

 

Quanto maior for a altura de x em comparação à linha de maiúsculas ou à linha de ascendentes, menos legíveis serão os caracteres.

Espaçamento

Outro dos elementos mais importantes é o espaçamento, pois este é responsável pela forma como absorvemos os caracteres, e as palavras que estamos a observar. Por vezes as letras precisam de ser ajustadas para caber num determinado espaço ou para criar uma determinada aparência ao corpo de texto.

Existem três formas diferentes em que os caracteres podem ser movimentados no espaço para que tenham uma melhor aparência. Esses três tipos de espaçamento são chamados kerning, tracking e leading.

Kerning

Kerning é o espaço entre duas letras individuais. É usado quando apenas precisamos de mover apenas uma letra porque está muito longe ou muito perto dos caracteres adjacentes. Algumas tipografias têm um espaçamento irregular entre a letra maiúscula e o resto da palavra com letras minúsculas. O kerning ajuda a melhorar o equilíbrio entre essas letras.

Quando os designers criam logotipos de marcas, geralmente modificam o kerning de uma letra para outra, garantindo que a palavra inteira esteja perfeitamente equilibrada.

Tracking

Tracking é o espaço proporcional entre todas as letras num corpo de texto. Alterar o tracking ajuda a colocar as letras num espaço pequeno ou espalhá-las se estiverem muito apertadas. No caso das tipografias manuscritas, este espaçamento não deve ser aumentado em demasia, caso contrário, podem ocorrer quebras nas ligaduras e criam-se espaços desequilibrados.

Os designers modificam o tracking quando desejam obter uma aparência mais coerente em todas as palavras. Ao aumentar o tracking ou torná-lo mais apertado, eles podem fazer com que todo o texto pareça unificado e justificado.

Leading

O leading é nada mais do que o espaço entre linhas ou entrelinhamento. Devemos ter sempre atenção a este espaçamento, principalmente em textos longos, pois se for demasiado apertado é mais fácil ocorrer o fenómeno de “saltar de linha”, que muito provavelmente já aconteceu com todos os leitores.

O entrelinhamento e a altura de x têm um efeito direto na aparência do texto numa linha ou parágrafo. Quanto menor for a altura de x, em comparação com o leading, mais espaço em branco haverá entre as linhas e vice-versa. O ideal é termos um corpo de texto em que, ao semicerrar os olhos, consigamos distinguir a área vazia da área do texto, e estas tenham a mesma altura, ou sejam o mais equivalente possível.

Terminologia dos elementos das letras

Grande parte das letras têm semelhanças entre si, que permitem uma consistência dentro da família tipográfica.

Ainda assim, certas letras têm características próprias que  serifas no entanto, que são ligeiros traços ou prolongamentos nas extremidades ou no final das hastes de algumas letras, não são considerados elementos anatómicos, pois no caso de uma tipografia.

Anatomia 1

Braço – Traço diagonal ascendente, com uma extremidade livre. Presente no A, K, V e Y

Perna – Traço diagonal descendente, com uma extremidade livre. Presente no R ou no K

Espinha – Traço curvo principal da letra S, minúscula ou maiúscula.

Ombro – ligação curva descendente entre as hastes verticais do h, m e n. Também pode ser chamado arco ou abertura.

Orelha – Pequeno traço presente em letras como o r, ou no g em algumas tipografias.

Contraforma – Espaço vazio de uma letra, como o O, no entanto o espaço interior do C também pode ser considerado uma contraforma.

Anatomia 2

Olho – Também considerado uma contraforma, mas por norma é designado como o espaço interior do e.

Barra – Traço horizontal presente no A, H, f ou t.

Gota/taça – Parte inferior esquerda curva do a, podendo também ser considerada uma barriga.

Terminal – Traço final de uma letra, como a parte superior do f, t ou até no a

Pescoço – Em certos tipos de letra, quando a parte inferior e superior do g, são fechadas, a ligação entre eles chama-se pescoço.

Filete – Traço mais fino de uma letra, presente no v, ou a

Anatomia 3

Cauda – Terminal de a ou Q.

Queixo ou gancho – Corte na transição do traço curvo para reto na letra G

Barriga – Traço curvo que fecha uma contraforma, presente no D, mas também em letras minúsculas como d, b

Haste – Traço vertical principal, presente no H, I, L, etc.

Vértice ou ápice – extremidade superior do A, que liga os dois traços diagonais, também podem ser consideradas as partes assinaladas do M.

Esperemos que tenham aprendido alguma coisa nova sobre tipografia e que é bastante mais do que apenas desenhar letras 🙂

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Autor
Tiago Oliveira
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