Como aparecer nas pesquisas da IA (e porque o SEO já não chega)
Durante anos, a grande preocupação das marcas era aparecer no Google. Estar na primeira página significava visibilidade, tráfego e, muitas vezes, vendas. O SEO tornou-se prioridade, as palavras-chave passaram a fazer parte da estratégia e os conteúdos começaram a ser pensados para motores de pesquisa.
Mas o comportamento digital está a mudar, rapidamente.
Hoje, cada vez mais pessoas fazem perguntas diretamente ao ChatGPT, Gemini, Perplexity, em vez de pesquisarem da forma tradicional. Já não procuram apenas links, procuram respostas prontas, contextualizadas e rápidas. E isso está a mudar completamente a forma como as marcas precisam de comunicar online, a começar pela comunicação no website.
A transição do “motor de pesquisa” para o “motor de resposta”
Durante décadas, os motores de pesquisa funcionavam como diretórios inteligentes. O utilizador fazia uma pesquisa e o Google devolvia uma lista de links ordenados por relevância.
Os modelos de Inteligência Artificial funcionam de forma diferente. Os LLM’s (Large Language Models) não apresentam apenas páginas, sintetizam informação, cruzam contexto, identificam padrões e geram respostas completas com base naquilo que consideram mais confiável e consistente na internet. Na prática, deixa de ser suficiente ter um website otimizado, é preciso construir sinais claros de autoridade digital.
Uma nova era: Generative Engine Optimization
É nesta mudança que surge um conceito que está a ganhar cada vez mais relevância: GEO, ou seja, Generative Engine Optimization.
O GEO é, no fundo, a otimização da presença digital para que os LLM’S a marca, empresa ou profissional como uma fonte relevante e confiável. Se antes o objetivo era aparecer no Google, agora o objetivo passa também por aparecer nas respostas da IA.
Por isso é importante que o conteúdo deixe se ser superficial. Publicar frases inspiracionais, conteúdos rápidos ou tendências momentâneas era suficiente para gerar alcance. Agora, a Inteligência Artificial valoriza mais do que atenção, valoriza utilidade, capacidade de explicar, conhecimento estruturado e, acima de tudo, autoridade sobre o tema. E isto acontece porque a IA vai buscar informação a vários locais ao mesmo tempo: websites, blogs, LinkedIn, entrevistas, podcasts, fóruns, reviews, artigos, YouTube e redes sociais. Ou seja, a construção de autoridade digital tornou-se muito mais ampla do que simplesmente “ter um bom site”, ou “posts bonitos”.
Hoje, uma marca que fala consistentemente sobre um tema em diferentes plataformas cria sinais fortes de autoridade. Se uma empresa publica artigos sobre estratégia, fala sobre estratégia no LinkedIn, participa em podcasts sobre estratégia e reforça constantemente esse posicionamento, a IA começa a associá-la naturalmente a esse tema. E é aqui que as empresas estão a ficar para trás, porque comunicam de forma genérica e não existe coerência nos meios de comunicação.
Se uma agência de marketing diz apenas “fazemos marketing digital”, é demasiado amplo, não mostra autoridade sobre um setor. Mas se comunica algo como “ajudamos clínicas privadas a atrair pacientes através do Instagram sem depender de anúncios pagos”, a perceção muda completamente. Existe contexto, especificidade e intenção clara. A IA entende melhor o tema, o público e a especialização.
Foi precisamente neste sentido que reformulámos o website da Boomer.
Outro fator cada vez mais importante é a experiência prática. O que começa realmente a destacar-se são conteúdos que demonstram aplicação real, contexto e experiência concreta. A IA tende a valorizar mais exemplos, casos práticos, resultados, processos e explicações detalhadas do que opiniões genéricas sem profundidade.
Mas o que acontece ao SEO?
O SEO continua a ser importante, essencial para estrutura, indexação, performance técnica e organização do conteúdo. Mas já não pode ser visto da mesma forma que há alguns anos. Antes, o SEO era muito centrado em keywords e otimizações técnicas. Hoje, passa também por tornar os conteúdos compreensíveis para sistemas de IA. Isso implica escrever de forma mais clara, estruturar melhor a informação, aprofundar temas, responder diretamente a perguntas e criar conteúdos realmente úteis.
Na verdade, GEO funciona melhor quando existe uma boa base de SEO, porque websites rápidos continuam a ser importantes, estrutura técnica, indexação, backlinks, etc. A diferença é que agora existe uma nova camada, cujo objetivo é tornar o conteúdo compreensível e citável pela IA.
As marcas que se vão destacar nos próximos anos não serão necessariamente as que publicam mais. Serão as que conseguem construir autoridade temática de forma consistente. As que sabem exatamente sobre o que querem ser reconhecidas. As que criam conteúdos claros, aprofundados e úteis. As que deixam sinais suficientes para que a IA perceba rapidamente o seu posicionamento.