maio 17

Ecodesign/Design Sustentável: por uma criatividade consciente!

 

A sustentabilidade é um assunto que está cada vez mais na ordem do dia e é sabido que todas as indústrias dependem de vários recursos, tais como energia, água, papel, tinta, entre outros materiais. O Design Gráfico e o Marketing não são exceção!

Quando produzimos uma peça de comunicação que vai ser exibida por via digital ou física, as nossas decisões como profissionais da área podem ter um impacto significativo no ambiente. Nesse sentido, podemos falar de Ecodesign (ou Design Sustentável), uma abordagem que considera o impacto que o Design tem no ambiente, desde o início da recolha dos materiais, passando pela produção/distribuição até ao seu fim de vida.

Tomar decisões quanto à forma, tamanho e cor de uma peça pode ter grandes implicações. Para trabalhos impressos, a escolha do papel, da tinta e dos materiais pode reduzir a pegada ecológica de forma significativa. Isto traduz-se na utilização mais eficiente dos recursos naturais e menos emissões de carbono para a atmosfera.

Além disso, existe também a preocupação de analisarmos o nosso método de trabalho, bem como o ambiente em que estamos, a energia consumida pelos equipamentos e a filosofia energética das empresas das quais usamos os produtos. 

Como designer gráfico é possível trabalhar de uma forma mais consciente, tendo em conta os gastos de recursos por parte do nosso trabalho e como reduzi-los. O Ecodesign é, assim, a forma de reduzirmos este impacto e, por isso, é importante que os criativos pensem em Design Gráfico verdadeiramente sustentável!

 

  1. 1. Trabalha com o mindset em Ecodesign (sustentável)  

Quando falamos de impressão, a Política dos 5R’s - Reduzir, Reutilizar, Recuperar, Renovar e Reciclar - é uma mais-valia para pensarmos em formas criativas de mantermos o Design mais sustentável e amigo do ambiente. Eis algumas ideias que podem ser implementadas em projetos futuros relativamente a:

– Dimensão e formato: o flyer que estás a desenvolver precisa de ser assim tão grande? Em vez de optarmos por envelope e carta, será que podemos ter um único suporte com dobras, passível de ser fechado sem recurso a cola? Já diz o velho ditado: menos é mais!;

– Utilização do espaço: usa o espaço de forma eficiente, aproveitando todo o espaço para comunicar a mensagem, o que reduz consideravelmente o papel necessário;

– Margens: não leves a cor/conteúdo até aos limites do papel, e simplesmente deixa uma pequena margem branca à volta, o que reduz o desperdício de tinta e permite que uma maior quantidade de papel seja reciclado;

– Reinvenção: E que tal dar ao produto uma nova vida? Em vez de o deitarmos ao lixo depois de finalizado o seu propósito, será que ele não pode ser reaproveitado/reutilizado?

– Websites “printer-firendly”: opta pelo design de websites mais clean e “printer-friendly”. Por exemplo, usar texto branco em fundo preto vai usar mais tinta, aquando da impressão por parte do utilizador, do que texto negro em fundo branco.

  1. 2. Escolhe papel mais ecológico

O ciclo de vida do papel começa pelo corte das árvores, segue-se o transporte, a transformação da madeira em polpa de celulose e, posteriormente, o branqueamento até ser finalmente transformado em papel. Todos estes processos utilizam metais e combustíveis através de máquinas que vêm de outras indústrias com os seus próprios impactos ambientais.

Procura considerar de forma consciente a escolha do papel, tendo em conta: 

– A fonte do papel, de forma a evitar o que tenha sido criado a partir de um processo tóxico; 

– A possibilidade de utilizares papel reciclado: quanto maior a percentagem de material reciclado, melhor!;

– Evita impressões desnecessárias, mesmo durante o processo de trabalho. Será que é necessário imprimir tantos rascunhos?;

– Considera a utilização de um único material, evitando os compósitos, de forma a que estes possam ser reaproveitados mais facilmente;

Pensa em formas inovadoras de minimizar o packaging;

– Utiliza apenas papel que tenha passado por processos de branqueamento livres de cloro elementar, como o ECF (Elemental Chlorine Free) ou TCF (Totally Chlorine Free).

  1. 3. Dá preferência a empresas/gráficas sustentáveis

A indústria gráfica ainda tem um longo caminho a percorrer no que concerne à sustentabilidade. No entanto, muitas empresas do setor gráfico têm implementado uma série de medidas que visam tornar os seus negócios mais sustentáveis. Por isso, na hora de escolher um parceiro para a impressão dos teus materiais:

– Verifica se a empresa tem algum tipo de crepitação para impressão e um sistema de gestão de qualidade (certificado Ecolabel, FSC®-COC, PEFC-COC, entre outros);

– Pergunta à gráfica que ações toma quanto à sustentabilidade, que medidas utiliza para reduzir as emissões para o ar e água e se estão envolvidos em alguma atividade ecológica como, por exemplo, sociedades ou instituições de solidariedade ambientais;

– Considera se uma solução digital consegue alcançar o mesmo (ou melhor) resultado do que um suporte físico. Sempre que possível, tira proveito da via digital, pois tal reduz o impacto ambiental dos produtos em questão;

– Solicita tintas com níveis reduzidos de compostos orgânicos voláteis (VOC). Embora seja mais caro do que as tintas convencionais, não são tão nocivas para a saúde das pessoas que a trabalham e, consequentemente, para o ambiente. Algumas tintas utilizam também metais pesados como chumbo, o cádmio e o bário, que podem ser uma ameaça com riscos para a saúde e ambiente se de alguma forma voltarem ao ambiente natural.

 

  1. 4. Tem em conta o consumo de energia

O consumo de energia inclui computadores, impressoras, monitores e outros equipamentos que possam ser utilizados. Para reduzir o consumo de energia, seria importante optarmos por produtos com maior eficiência energética.

Um dos grandes problemas da tecnologia é que o seu impacto no meio ambiente está escondido. Quando usamos um telemóvel, não parece que estamos a danificar o ambiente, no entanto, precisamos de energia para o carregar e aceder à internet. Por isso, podes ter atenção a aspetos como:

– O tamanho dos ficheiros: quanto maior a imagem e a dimensão de um ficheiro, maior o consumo de energia. Reduzir o seu tamanho é uma pequena mudança que, cumulativamente, pode ter um efeito positivo no consumo energético;

– Serviço de alojamento remoto verde: procura utilizar uma “cloud” que, além de permitir partilhar ficheiros com o cliente mais facilmente, é também mais eficiente do que trocar e-mails constantemente;

– Aceita que não existe uma solução perfeita, pois tanto o design impresso como o digital produzem emissões, no entanto, o digital não requer recursos físicos e, por esse motivo, é mais ecológico.

 

  1. 5. Sê responsável pelo teu próprio consumo e escolhe com quem trabalhas

Todas as tuas escolhas têm impacto no planeta. Aceita, sobretudo, que mudar comportamentos e hábitos requer esforço, persistência, o que nem sempre é fácil ou imediato. A médio prazo:

– Opta por um fornecedor de energia mais verde: todas as profissões que usam um computador para trabalhar o podem sempre procurar por fornecedores que usem uma menor percentagem de combustíveis fósseis;

– Analisa os equipamentos informáticos utilizados: os designers utilizam softwares que consomem bastantes recursos, o que causa um maior desgaste nos componentes dos computadores. No entanto, existe um custo na emissão de carbono para cada computador fabricado. Em vez de comprar um computador novo a cada 3 ou 4 anos, devemos tentar substituir peças ou então fazer um upgrade, caso seja possível;

– Poupa energia: não só desligar os aparelhos eletrónicos quando não estão a ser utilizados, mas sim desligá-los da corrente, de forma a eliminar o consumo de energia quando estes estão em modo standby;

– Colabora com empresas que utilizem normas de gestão ambiental, como o ISO 14001, que avalia a integração dos aspectos ambientais no design e desenvolvimentos dos produtos.

 

Como podemos ver, existem imensas formas de minimizar o impacto ambiental que o nosso trabalho tem no planeta.

E tu, o que pensas fazer para tornar o teu trabalho mais sustentável para o meio ambiente?

 

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