Abr. 20

Design Gráfico em tempos de Guerra

 

 

 

A criatividade humana sempre foi uma poderosa arma, seja de revolução contra os costumes, de contestação perante as regras ou mesmo de propaganda pró ou contra as diversas guerras ideológicas ou concretas.

Nas Primeira e Segunda Guerras Mundiais, o design de propaganda foi fundamental para alistar soldados, conseguir apoios financeiros para os exércitos e, claro, para moldar a opinião pública acerca dos conflitos.

  

Exemplos de cartazes criados por Abram Games, um designer gráfico inglês que trabalhou com um Governo britânico de 1941 a 1945

Este estilo de design é, por vezes, chamado de “realismo heroico”, já que todos os temas são retratados de forma exacerbada e excecional. Esta forma de comunicar é, claro, intencional: se o objetivo é recrutar ou ganhar apoio para determinada causa, uma forma eficaz de o conseguir é ilustrar essa causa como sendo algo grandioso, importante, “de vida ou morte”.

  

 

Cartazes como I Want You”, uma imagem de recrutamento para o exército criado por James Montgomery Flagg, ou o inesquecível “We can do it”, um apelo às mulheres que se juntassem ao esforço de guerra tomando o lugar dos homens em fábricas a necessitar de mão de obra, são icónicos e continuam a ser utilizados e reutilizados numa grande variedade de contextos (nem sempre respeitando a mensagem original).

 

 

Outro curioso exemplo é o cartaz “Keep Calm and Carry On”, criado pelo Governo britânico em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial.

De autor desconhecido, esta mensagem foi proposta pelo Ministério da Informação (uma referência ao Ministério da Verdade do livro “1984”, de George Orwell) e pretendia acalmar e reforçar a moral caso os alemães invadissem território inglês. Foi distribuído de forma muito limitada e, por isso, não ganhou muita visibilidade, vindo a ser recuperado décadas depois e reproduzido múltiplas vezes tanto em merchandising como meme, com diversas versões.

 

 

Ainda recentemente, temos assistido ao importante impacto da arte e da comunicação em acontecimentos mundiais como a pandemia de COVID-19, o movimento Black Lives Matter, os protestos contra movimentos extremistas ou a luta contra as alterações climáticas.

 

Cartazes de L-R Gia Graham, Adrian Meadows e Hust Wilson

 

Este conflito não é exceção: desde o primeiro momento da invasão da Ucrânia pela Rússia que se multiplicam os protestos e movimentos de apoio das comunidades artísticas, seja através da música, da moda, das artes plásticas, da ilustração e do design.

No início do mês de março foi noticiado que os European Design Awards (EDAWARDS), que se realizam em Tallinn, na Estónia, não iriam cobrar o fee de entrada a designers provenientes da Ucrânia, numa tentativa de apoiar estes profissionais e dar-lhes voz num palco internacional. Quanto aos participantes de origem russa, este foi o comunicado dado pela organização:

 E em relação aos participantes russos? Queremos garantir que todos entendam que também temos empatia por eles. O seu país é, certamente, o agressor, mas, na realidade, esta não é uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Vamos ser claros sobre isso: esta é a guerra de Putin. Estamos orgulhosos de ver a comunidade criativa russa a levantar-se em uníssono contra o regime e defender a paz. E é importante lembrar que esta posição da comunidade contra a injustiça, crueldade e tirania vem com o perigo de perseguição e possíveis graves consequências por se manifestar! Apesar desse facto, que reconhecemos e honramos em relação à comunidade de design russa, decidimos tomar algum tipo de ação para mostrar a nossa desaprovação do regime russo. O nome “Rússia” não será visível no nosso site. É apenas um movimento simbólico, mas queremos ter certeza de que é compreensível por todos que um crime está a ser cometido e nem tudo é "business as usual".

Por seu lado, a Depositphotos, uma plataforma de conteúdos (fotos, vídeos e gráficos) royalty free, fundada por Dmitry Sergeev em novembro de 2009, em Kiev, Ucrânia, disponibiliza aos utilizadores imagens gratuitas que mostram a dura realidade do que está a acontecer no país, para além de uma coleção que agrega criativos e fotos de protesto contra a invasão criadas por utilizadores de todos os cantos do mundo.

 

Ainda em março foi criada uma plataforma aberta – a Creatives for Ukraine – que apela a designers ou outros criativos que submetam obras de protesto e que contou com já com mais de 400 mil submissões. Algumas dessas obras foram selecionadas e exibidas em outdoors em seis cidades lituanas.

  

  

 

Tal como em conflitos anteriores, as artes, o design gráfico, a propaganda ou qualquer forma de expressão artística e de comunicação são fundamentais para transmitir as mensagens de apoio ou protesto perante a guerra na Ucrânia. A propaganda russa é apontada como o principal fator de divisão do país (e deste para com o mundo), angariando apoiantes para a causa de Putin através da manipulação da informação e da ocultação de dados e opiniões contrárias, incluindo até a prisão ou assassinatos de dissidentes.

As diversas manifestações de apoio à Ucrânia e de protesto do conflito, como os exemplos mostrados acima, são apenas uma gota num oceano do que seria necessário fazer para terminar este conflito, mas ajudam a manter esta realidade no nosso campo de visão.

A História mostra-nos a influência do design gráfico e da propaganda para o sucesso dos conflitos armados ou dos grandes movimentos de revolução. A nós, cabe-nos garantir que estamos do lado certo da História!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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