Jan. 19

O FIM DO “APP GAP”

O que têm o Windows Phone, Firefox OS, Blackberry OS, Web OS, Bada e Sybian em comum? O chamado “app gap”.

Estes sistemas, assim como outros, não foram bem sucedidos (não só mas em grande parte) devido à centralização do mercado nas plataformas da Apple (iOS) e da Google (Android).

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o “app gap” não significa a falta de aplicações para uma determinada plataforma móvel como o Windows Phone em detrimento de outras, mas a falta de mercado gerado à volta dessas plataformas em que as aplicações têm um papel determinante.

Sem utilizadores, ninguém vai desenvolver aplicações para essa plataforma e sem aplicações ninguém a vai querer usar.

E é aqui que o problema reside em grande medida, isto porque o mercado gira à volta dos conteúdos e a forma como acedemos a eles. Neste contexto as aplicações tornaram-se praticamente um padrão na forma como acedemos a conteúdos.

 

 

No final dos anos 90 as empresas perceberam que tinham de ter uma página de internet. Uma década depois, descobriram que para terem sucesso precisavam da sua própria app para potenciarem a sua atividade ou o seu negócio e a pergunta que se coloca hoje é: como será em 2020? As Aplicações móveis ainda serão um meio tão determinante? Muitos acreditam que não.

A verdade é que, quer para utilizadores como para quem desenvolve aplicações, estas começam a provocar dores de cabeça. Para utilizadores, existe a eterna questão do espaço de armazenamento. Quem nunca ficou com os nervos à flor da pele quando não conseguiu fazer sequer uma atualização ao sistema por falta de espaço? A própria Apple deixou de produzir dispositivos com menos de 16GB…

Para além disso é necessário estar sempre a atualizar e, muitas vezes, a experiência proporcionada por essa atualização não é bem sucedida nem melhora a experiência do utilizador. Muitas vezes acontece exatamente o oposto, mudando radicalmente a forma como interagimos com ela e a forma como são disponibilizados os conteúdos provocando ondas de indignação por toda a internet, como já foram disso exemplo, o Instagram, Facebook e o Twitter.

Do lado de quem as desenvolve, também existem problemas levantados pelas atualizações aos dispositivos e sistemas operativos que obrigam a permanentes atualizações para garantir o bom funcionamento das mesmas, o que custa tempo e dinheiro a empresas que apenas querem que os seus utilizadores vejam um vídeo, comprem uma pizza ou partilhem uma foto muito fofa do seu gato.

Existem pelo menos 3 alternativas no horizonte que poderão a médio e a longo prazo substituir, em parte ou completamente, a utilizações de aplicações tal como as conhecemos e usamos hoje:

– a primeira, são as chamadas Super Aplicações. Na verdade já usamos algumas delas sem saber, como o WeChat e o Facebook. Estas aplicações são uma combinação de várias aplicações e com as quais já conseguimos fazer uma grande variedade de serviços diferentes como fazer compras, reservas, subscrever serviços e pesquisas integradas. O WeChat, por exemplo, começou por ser uma aplicação de chat e hoje é uma das formas mais avançadas para efetuar pagamentos em todo o mundo.

 

 

– a segunda alternativa é mais futurista e tem um conceito que não é novo e que está nos primórdios da Internet: os Chatbots. No entanto, com a evolução da tecnologia e particularmente da Inteligência Artificial, os Chatbots atuais não têm absolutamente nada a haver com o conceito original e tornaram-se verdadeiros sistemas de informação que interagem connosco. Hoje, podemos estar a conversar ou a consultar a internet e o sistema automaticamente interpreta o que estamos a dizer e dá sugestões. A Microsoft, por exemplo, através do Skype já tem este sistema implementado e o Facebook está a desenvolver algo semelhante. Para se ter uma noção de como funciona, imaginem que estão a combinar uma viagem com alguém a Paris e enquanto conversam, o Skype apresenta-vos em tempo real pré-reservas já com os preços e horários baseados na vossa conversa e tudo o que têm de fazer é confirmar a compra.

 

 

– a terceira alternativa são os Assistentes Virtuais e, na verdade, muitos de nós já os utilizamos. Tratam-se da Siri (iOS), Cortana (Windows) e do Google Assistent (Android).
Como já devem saber, estes consistem em conversarem (literalmente) com o vosso smartphone ou computador, fazerem perguntas ou solicitarem conteúdos. Em poucos segundos têm a informação sobre o estado do tempo e do trânsito, sem que tenham aberto qualquer aplicação para o efeito e ainda mandam uma mensagem à vossa cara-metade a dizer que vão chegar tarde e para não esperarem por vocês para jantar. E muitas vezes com uma boa dose de ironia!

Num futuro não muito distante, as aplicações continuarão a existir mas não como as conhecemos hoje… e mal podemos esperar por esse dia!

 

 

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